Queixo-me As Rosas

Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
(Cartola)
Cansei de pintar de cinza o céu que deveria ser azul, a boca que deveria ser vermelha e a rosa que deveria ser branca. Cansei de deixar incompleto o quadro na parede, a folha do diário e o bilhete abandonado. Cansei de encarar o mármore da lápide, o preto do funeral e o despedaçar do buquê. Cansei de fingir viver enquanto meus medos vivem por mim.
(Queixo-me Às Rosas)

Cansei de pintar de cinza o céu que deveria ser azul, a boca que deveria ser vermelha e a rosa que deveria ser branca. Cansei de deixar incompleto o quadro na parede, a folha do diário e o bilhete abandonado. Cansei de encarar o mármore da lápide, o preto do funeral e o despedaçar do buquê. Cansei de fingir viver enquanto meus medos vivem por mim.

(Queixo-me Às Rosas)

E eu ouço o tiro. Sinto a bala. Vejo a arma. Minhas pupilas dilatam enquanto entro em desespero. O sangue emerge da minha pele rapidamente, como um moribundo ansiando por seu último suspiro. Procuro pelo responsável, sem entender o porquê. Atrás do cano da pistola vejo meu reflexo, sorridente e imponente. Os olhos negros se tornam de um tom vermelho vívido e ameaçador enquanto ele debocha de minha desolação. Percebo em minhas mãos o cheiro de pólvora e o peso do metal, então, finalmente entendo: eu sou o causador de minha própria ruína.

(Queixo-me Às Rosas)

E eu ouço o tiro. Sinto a bala. Vejo a arma. Minhas pupilas dilatam enquanto entro em desespero. O sangue emerge da minha pele rapidamente, como um moribundo ansiando por seu último suspiro. Procuro pelo responsável, sem entender o porquê. Atrás do cano da pistola vejo meu reflexo, sorridente e imponente. Os olhos negros se tornam de um tom vermelho vívido e ameaçador enquanto ele debocha de minha desolação. Percebo em minhas mãos o cheiro de pólvora e o peso do metal, então, finalmente entendo: eu sou o causador de minha própria ruína.

(Queixo-me Às Rosas)

E eu tenho medo. Aperto o peito contra a madeira dura e fria do palco. O suor encobre meu rosto. Sinto minhas feições desaparecerem. Sou um desconhecido angustiado. Espero ouvir o aplauso da multidão e sentir o seu calor, mas o frio do silêncio me envolve. O horizonte de olhares não está lá. Me esqueço que sou apenas mais uma sombra que se move pelas coxias. Sou o pior dos covardes. Fracasso mesmo antes de tentar.
(Queixo-me Às Rosas)

E eu tenho medo. Aperto o peito contra a madeira dura e fria do palco. O suor encobre meu rosto. Sinto minhas feições desaparecerem. Sou um desconhecido angustiado. Espero ouvir o aplauso da multidão e sentir o seu calor, mas o frio do silêncio me envolve. O horizonte de olhares não está lá. Me esqueço que sou apenas mais uma sombra que se move pelas coxias. Sou o pior dos covardes. Fracasso mesmo antes de tentar.

(Queixo-me Às Rosas)

Somos os poetas de concreto. Os palhaços da crueldade. Os santos do purgatório.
(Queixo-me Às Rosas)

Somos os poetas de concreto. Os palhaços da crueldade. Os santos do purgatório.

(Queixo-me Às Rosas)

Talvez a vida seja assim mesmo, uma insana dança, que com seus bilhões de bailarinos, apresenta as mais memoráveis piruetas e os mais condenáveis tombos. E talvez eu seja assim mesmo, um dançarino desconcertado, que só consegue enxergar o rastro de desarmonia desencadeado pelos passos errados.
(Queixo-me Às Rosas)

Talvez a vida seja assim mesmo, uma insana dança, que com seus bilhões de bailarinos, apresenta as mais memoráveis piruetas e os mais condenáveis tombos. E talvez eu seja assim mesmo, um dançarino desconcertado, que só consegue enxergar o rastro de desarmonia desencadeado pelos passos errados.

(Queixo-me Às Rosas)

E pouca coisa aconteceu nesses anos: o mundo se tornou mais infeliz, as pessoas mais amargas, os sádicos mais sádicos, e a tristeza mais profunda. A vida que brota de nosso corpo surrado não é mais vermelha, e sim escura, como a fumaça que corroe nossos pulmões, devora nosso cérebro e ilude nossos corações, fazendo de sua arma letal um leve sopro de complacência desvirtuada e desalmada.


(Queixo-me Às Rosas)

E pouca coisa aconteceu nesses anos: o mundo se tornou mais infeliz, as pessoas mais amargas, os sádicos mais sádicos, e a tristeza mais profunda. A vida que brota de nosso corpo surrado não é mais vermelha, e sim escura, como a fumaça que corroe nossos pulmões, devora nosso cérebro e ilude nossos corações, fazendo de sua arma letal um leve sopro de complacência desvirtuada e desalmada.

(Queixo-me Às Rosas)

E eu vejo o amor sendo assassino e cúmplice de vários horrores. Vejo o amor tragando um charuto feito de esperanças, que com sua fumaça densa, sufoca os apaixonados não correspondidos. Vejo o amor arrastando corpos sem vida para suas covas, que depois de tanto sofrerem, se entregam à escuridão. E eu vejo o verdadeiro amor se afundando em lágrimas, desaparecendo na maré alta, e deixando marcado na areia da praia um sinal de existência, uma verdade antiga que hoje é a mais terrível das mentiras: “Eu te amo”


(Queixo-me Às Rosas)

E eu vejo o amor sendo assassino e cúmplice de vários horrores. Vejo o amor tragando um charuto feito de esperanças, que com sua fumaça densa, sufoca os apaixonados não correspondidos. Vejo o amor arrastando corpos sem vida para suas covas, que depois de tanto sofrerem, se entregam à escuridão. E eu vejo o verdadeiro amor se afundando em lágrimas, desaparecendo na maré alta, e deixando marcado na areia da praia um sinal de existência, uma verdade antiga que hoje é a mais terrível das mentiras: “Eu te amo”

(Queixo-me Às Rosas)

E como um violão quebrado, as cordas do meu coração arrebentaram. E como um cego desamparado, meus olhos sangraram. Eu  tateio o chão escuro, procurando reaprender a melodia da vida, mas não a encontro. Minha alma foi preenchida pelo uivo da solidão, constituído de uma nota melancólica e sofrida, que desperta nos homens o pior dos sentimentos: dor.


(Queixo-me Às Rosas)

E como um violão quebrado, as cordas do meu coração arrebentaram. E como um cego desamparado, meus olhos sangraram. Eu  tateio o chão escuro, procurando reaprender a melodia da vida, mas não a encontro. Minha alma foi preenchida pelo uivo da solidão, constituído de uma nota melancólica e sofrida, que desperta nos homens o pior dos sentimentos: dor.

(Queixo-me Às Rosas)

E eu acho que, no fim das contas, é nesses momentos onde a morte se encontra presente de maneira esmagadora e sufocante, que sentimos a vida em sua forma mais pura e marcante.
(Queixo-me Às Rosas)

E eu acho que, no fim das contas, é nesses momentos onde a morte se encontra presente de maneira esmagadora e sufocante, que sentimos a vida em sua forma mais pura e marcante.

(Queixo-me Às Rosas)

Entenda: a vida não é um arco-íris, brilhante e esplêndido, com um pote de ouro em seu final. Compreenda: a vida não é um espetáculo de humor, cheio de gargalhadas e risadas. Aprenda: a vida não é apenas felicidade.


(Queixo-me Às Rosas)

Entenda: a vida não é um arco-íris, brilhante e esplêndido, com um pote de ouro em seu final. Compreenda: a vida não é um espetáculo de humor, cheio de gargalhadas e risadas. Aprenda: a vida não é apenas felicidade.

(Queixo-me Às Rosas)